segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Batata palha com ketchup


Até certo tempo tudo havia sido como um ioio, quer dizer, não diria tudo, mas quanto às suas amizades.
Ela era uma garota diferente de suas amigas, não tão cândida quanto umas, nem tão insana quanto outras.
Portanto sempre houve um grupo do qual ela preferia, aquele onde as pessoas eram íntimas e confiáveis, que ela tinha uma liberdade incondicional para dizer ou fazer quaisquer coisa que lhe passasse pela cabeça, este era o grupo onde nunca ninguém cometeria atos impensados.
Talvez, por isto ela se sentia um pouco desajustada, talvez por isto houve uma primeira manifestação de afasto entre ela e aquelas pessoas, desta vez não haveria ressentimentos ou mágoas, tampouco haveria saudades, pois a raiva reluzia forte demais para dividir espaço com quaisquer outro sentimento. Mas não tinha problema, passado um tempo tudo estaria normal. Haveria de estar? Estava.
Passado um tempo elas estavam indo para aquela praça onde tudo acontecia, dividindo segredos e risadas, roupas e sapatos e comendo aqueles pratos de... ah! Isto não vem ao caso!
Mas como aquilo não era uma peça, onde no final tudo sempre daria certo, um tempo depois elas se distanciaram novamente, desta vez não parecia ter volta, nem sequer havia um motivo que a deixasse invadida por aquele ódio inabalável, havia algo pior, como um vazio pacato, ela sentia falta daqueles telefonemas que lhe rendiam uma ou duas horas e de passar aqueles dias com aquelas mesmas pessoas.
Quem sabe se elas se vissem por algum acaso do destino, se cumprimentariam, até encenariam dizer saudades ou marcar algum encontro, mas não haveria volta.
Ela não pertencia àquele grupo, enquanto elas preferiam ver um bom filme e comer pipoca com um copo de refrigerante, ela sempre gostaria daquele outro grupo de pessoas, aquelas que preferiam um bar ou um café, as que tomavam um copo de cerveja e acendiam um cigarro.
Desprezível.... Extraordinário.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sobriedade


Idéias inconstantes e pensamentos mútuos, cada dia uma nova crença, é tão difícil descrever alguém.
Não suporto a maldade nos olhos dos outros, mas exalo veneno, não consigo entender a bondade de um sorriso e ainda assim eu não o tiro de minha face.
Prefiro encarar isto como um espetáculo de circo, é engraçado como os pensamentos fluem a cada instante, não sei de onde vim, pra que vim e pra onde vou, nem sequer sei o que quero. Então começo a rir intensamente, e meu riso transforma minha desgraça em algo tão cômico, que imagino que sou um palhaço com um nariz vermelho dizendo "abraços grátis" ao meu pior inimigo.
Parece que estou ouvindo os ruídos de um instrumento musical ao lado de fora do show, quando de repente me vejo espelhada no palco, tocando-o. Sou a protagonista e tudo perde a graça, começa a doer e sangrar.  Então me entupo de álcool, fumo um maço de cigarros e de repente tudo não passou de um sonho e estou voando novamente, e rindo da formiga que leva sua comida para o formigueiro, e do céu que é tão colorido. Vejo um mundo inexistente do qual eu não quero sair e, de repente o despertador toca, tudo fica escuro, e novamente são 5 horas da manhã.
A água escorre pelo meu corpo e com ela descem todos os planos que assombravam mina mente, pego minha câmera e tiro mais uma fotografia alheia, onde o sol nasce fazendo um magnífico espetáculo, mais uma vez, agradeço por ver esta paisagem a cada manhã. Inesperadamente a sobriedade aflora em mim e penso que ainda tenho algo que seja ou muito puro, ou um tanto quanto alienado.