domingo, 25 de março de 2012

Protege moi

Meus dedos oscilam, assim como meus pensamentos e todos meus sentimentos.
Há um casulo cheio de coisas abstratas.
Coisas que por vezes são sentimentos, por outras pensamentos, e por outras, apenas nomeio como líbido.
É que a música está muito alta, não... não digo o volume, digo a intensidade.
A intensidade aumentou consideravelmente minhas sensações e percepções.
O tempo é como uma nuvem, que dependendo do ângulo visto pode parecer tão distante... tão perto... com formas definidas... ou tão esfumaçadas.
As pessoas também são relativas ao ângulo, às situações e principalmente, às notas sonoras.
Se você acender um cigarro, encher um copo de whiskey, sentar no chão e sentir uma superfície gelada e inerte em contato com sua pele quente, escutando a música certa, vai entender que as pessoas são todas desatinadas.
Se você estiver em boa companhia, compartilhará um momento incomensurável, um tanto constrangedor, mas inexplicável em suas filosofias sensitivas.
Não é sinestesia, é fato que o ritmo da melodia faz fervilhar sensações viciantes, é impossível parar de ouvir o frio na barriga, de sentir a música, de falar sobre o que você vê quando fecha os olhos e, como é incrível continuar vendo tudo ao abri-los lentamente.
A realidade é relativa. Um pensamento não deixa de ser real, pois ele talvez seja mais parte de mim  que minha maçante rotina. A utopia é excruciante.