quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Entre o paraíso e a dor

As folhas caíam das árvores acompanhando o ritmo do outono, que deixava as calçadas totalmente cobertas, causando um ar estranhamente belo e sombrio.
Enquanto isso, ele corria em direção à costa, e enquanto seu corpo sentia a água lhe percorrendo, ele se despia, jogando suas roupas para o alto e suas botas no fundo do mar.
Até que uma onda o atingiu e sua cabeça foi golpeada fortemente contra uma pedra.
Ele estava entre o paraíso e a dor, e como ele queria logo acabar com esta segunda!
Ele já podia ver os pássaros voando tranquilamente e os peixes nadando livremente contra a correnteza límpida e suave, enquanto o pôr-do-sol tornava tudo especialmente colorido e excentrico.
"Não, não, não! Eu não quero acordar!"
Pensava ele enquanto seus olhos se entreabriam e ele começava a enxergar os traços que formavam a imagem de um barco e um jovem pescador ao seu redor.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Delírio

Um quarto escuro e uma garota sentada... olhando para aquela máquina sintetizadora de sentimentos.
Era impressionante como um click era capaz de fazer surgirem sensações diversas e novas.
E havia um lugar no meio de todos aqueles click's que era capaz de conter quaisquer sentimento e tranformá-lo em ódio em questão de segundos.
Apesar disso, aquele era o melhor lugar, o que mais a deixava a vontade, que completava o seu vazio interior e a tornava viva.
Mas sempre quando ela se sentia a pessoa mais livre de infelicidades possível, começava a escurecer e ficar quente, e de repente ela começava a se queimar e ia se decompondo... e na medida que ela ardia em chamas e caía se devastando, ia nascendo uma nova garota dentro de uma câmera de resfriamento que sempre seria o inverso da garota em chamas.
Então, ela nascia totalmente opaca e fria, e teria que aprender a sentir a felicidade compulsiva da garota que se queimou, esse lugar de agora só a ensinava a se acostumar com a noite escura e com seus pés frenéticos dançando de maneira perturbadora.
Ela sentia as batidas fortes que vinham de dentro de sí gritando um transtorno.
Você.... você... você...
Quem é você que de repente aparece em seu transtorno?
Você parece embriagada....
Sinta-se em casa, ela está te convidando para fazer parte de seu transtorno, basta dizer que também possui preocupações.
Espera... o que são preocupações?
Não há motivo para se preocupar, agora o galo canta e o relógio marca 03:45 da manhã, vocês estão na janela e enquanto ela traga um cigarro você observa a maneira como sua boca fica entreaberta enquanto a fumaça vai sumindo e invadindo a escuridão.
Ela olha para você e se pergunta porque só você aparece em seu mundo frio e opaco.
Como se você adivinhasse seus pensamentos você sorri, não um sorriso doce, mas um sorriso amargo e triste.
Então como se você sentisse menos que ela e omitisse toda a sua vontade de vê-la sorrir, você vira de costas.
Ela sente uma lágrima escorrer e aperta suas mãos desejando que você não vá, que você apenas diga "Adeus, eu voltarei!", mas você continua andando, sem se virar, você apenas segue em frente como se nada importasse.
Então ela se deita tentando esquecer que você se foi, tentando suprir suas vontades com algo que nem ela mesma sabe o que é.
De repente seus olhos se fecham e ela não sabe mais que horas são, ela sabe que seus passos agora estão distantes e começa a tentar levar seus pensamentos pra junto destes passos.
Escuro... escuro... inconsciente... de repente ela fica inconsciente.
Agora ela é apenas um corpo na câmera de resfriamento.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Só mais uma história sem sentido

Uma menina relativamente bonita corria perigo, fazia um ano que ela não via sua amiga Maria, esta mesma que foi a sua casa hoje, elas mataram as saudades de maneira tão intensa, que ela acabou dormindo e não entendendo nada que acontecia a sua volta.
Enquanto isso, eu estava deitada, brincando com aquela embalagem, que eu não sabia ao certo dizer qual era o conteúdo. Seria um creme? Ou uma loção capilar qualquer? Eu apenas achei legal a maneira como o líquido se transportava de uma ponta à outra da embalagem, e a pressão com que batia em minhas mãos.
Tentei ler o que estava escrito na embalagem, percebi que o som como as palavras saíam de minha boca provocavam um efeito legal e viciante e, quando percebi estava fazendo aquele barulho de maneira descontrolada e intensa, enquanto elas riam de mim, a menina relativamente bonita, sua amiga e Maria.
Logo depois resolvi ir embora, a amiga, que obviamente não era nem a menina relativamente bonita, nem Maria, resolveu me acompanhar.
Entramos no ônibus, e fomos conversando a respeito de maçãs, garotos e garotas.
Até que ela chegou ao seu destino e desceu.
Então, tirei meu fone e coloquei em meu ouvido, coloquei as músicas para tocar de maneira aleatória, algumas eram felizes demais, o que me levava ao impulso de passar para a próxima... pronto aquela era boa o suficiente. Mas me levava à náusea, à nostalgia e a outros sentimentos que eu prefiria reprimir.
Entretanto, era como se a dor me possuísse e, se a música parasse, a dor aumentava e corroía minha alma.
Até que cheguei ao meu destino, consultei o relógio e percebi que ainda havía tempo o suficiente, então fui perambulando pelas ruas, dando voltas e reparando ao meu redor, de repente eis que surge aquela praça em cima do túnel, mesmo local que alimentava memórias passadas.
Me sentei sozinha naquele banco, acendi meu cigarro e passei a reparar nos carros entrando no túnel e subindo as ruazinhas, as pessoas tão pequenas andando lá em baixo, e o céu, com suas cores alucinantes e estranhamente perfeitas.
Como havia eu me tornado tão estranha?
E quando o dia tinha se tornado tão belo?