Às vezes sou como o vento, que corre por todos os cantos do mundo, e não se apega a lugar algum....
Por vezes é bom ser completamente desapegada e quando me vejo enjaulada junto a uma ideia, prefiro a morte a continuar nesse estado de completa dependência.
Me lembro quando uma velha amiga me disse "você é como uma fênix, que some e de vez em quando renasce das cinzas". Sou um pouco assim, meio desafeiçoada às pessoas, gosto de ter alguém ao meu redor, mas vivo uma eterna mutação com meu ciclo de amizades também.
Quando me vejo agarrada a uma situação da qual sou impossibilitada de abandonar e seguir em frente, é nessa hora que sinto medo, é nessa hora que prevejo a desgraça... podem julgar-me covarde, mas digo que é apenas um estilo de vida, uma espécie de natureza humana que se enquadra em mim.
Sou como o vento, que gosta de estar ali, presente em todos os lugares, sem ser percebido, sem ser notado, mas que de forma inconsciente todos sabem da minha existência, todos sabem que estou ali, mesmo sem ser visto.
E hoje... hoje eu, brisa suave, gostaria de transformar-me numa ventania repentina, e derrubar tudo ao meu redor, hoje gostaria de por um momento escapar da presença constante do mundo ao meu redor e ter um instante de paz.
Hoje eu, aragem, quero derrubar folhas e árvores, quero mostrar que nem sempre a culpa é minha por eu estar assim, tão impuro... tão prejudicial.

