terça-feira, 26 de julho de 2011

"A poluição é o tempero da marmita fria"


Às vezes sou como o vento, que corre por todos os cantos do mundo, e não se apega a lugar algum....
Por vezes é bom ser completamente desapegada e quando me vejo enjaulada junto a uma ideia, prefiro a morte a continuar nesse estado de completa dependência.
Me lembro quando uma velha amiga me disse "você é como uma fênix, que some e de vez em quando renasce das cinzas". Sou um pouco assim, meio desafeiçoada às pessoas, gosto de ter alguém ao meu redor, mas vivo uma eterna mutação com meu ciclo de amizades também.
Quando me vejo agarrada a uma situação da qual sou impossibilitada de abandonar e seguir em frente, é nessa hora que sinto medo, é nessa hora que prevejo a desgraça... podem julgar-me covarde, mas digo que é apenas um estilo de vida, uma espécie de natureza humana que se enquadra em mim.
Sou como o vento, que gosta de estar ali, presente em todos os lugares, sem ser percebido, sem ser notado, mas que de forma inconsciente todos sabem da minha existência, todos sabem que estou ali, mesmo sem ser visto.
E hoje... hoje eu, brisa suave, gostaria de transformar-me numa ventania repentina, e derrubar tudo ao meu redor, hoje gostaria de por um momento escapar da presença constante do mundo ao meu redor e ter um instante de paz.
Hoje eu, aragem, quero derrubar folhas e árvores, quero mostrar que nem sempre a culpa é minha por eu estar assim, tão impuro... tão prejudicial.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Hediondo espetáculo


Não, a verdade é que não sinto nada.
No que se refere a meus próprios sentimentos, estou anestesiada, não sou capaz de sentir nada, exceto pena.
Foi-se o tempo em que eu sentia medo... em que as lágrimas teimavam em cair...
Agora vejo um livro aberto todo sujo de cinzas... na verdade as cinzas são a ilustração da sua história, tão recheada de cigarros... e o perfume? Ah, sinto o cheiro de cerveja, não gasto palavras bonitas tentando embelezar minha história com um bom vinho ou whiskey, o cheiro daquela história era de cerveja... cerveja áustria.
E naquela página em especial, você estava cambaleando e, naquela altura da história eu achava engraçado seu estado deplorável, totalmente dependente de químicos, mas não achava engraçado por ser eu uma pessoa má, achava engraçado por estar tão cansada. Tão cansada de te odiar e de derramar lágrimas, estava cansada de sentir meu corpo se enfraquecer e as náuseas surgirem, e tudo o que eu sentia era nojo do bafo de cerveja que escapava da boca do livro em minhas mãos.
Resolvi abandoná-lo por certo tempo, apenas o tempo exato para que você, a protagonista daquela história aloprada, se curasse e, eu pudesse rir sem julgar-me uma pessoa ruim, eu pudesse fumar sem me comparar a você e beber daquela cerveja estupidamente gelada sem sentir o cheiro que exalava daquelas páginas mofadas.
Só sinto por vezes um certo receio de abandonar de vez a leitura, já que sempre me interessei tanto pelos livros... mas hei de arcar com as consequências de um dia interessar-me por histórias tão sórdidas.
E já que estou falando sobre você, o personagem principal, aquele que ainda não saiu de minha mente, sei que ainda sinto pelo menos um interesse pelo desenrolar da história, sei que ainda sou a garota curiosa que segura as mãos para não pegar aquele livro enquanto não curo meus pulmões da fumaça que por ele exala.

Aventura na Casa Atarracada

"Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora, 
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa."

Ana Cristina Cesar 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Insasiável...


Não há o que escrever, pois o vinho engarrafou minhas palavras...
E não há o que sentir em meio a toda esta embriaguez.
Lembrei-me há pouco daquela conversa que há cerca de uma semana tivemos na varanda... onde eu ainda me preocupava em esconder a fumaça, em esconder o vício e em esconder o maço de cigarros... aquele mesmo, que ficou jogado na mesa!
Lembrei-me de quando falamos sobre os motivos para se fazer as coisas, e ri baixinho pensando no quão desprezíveis somos nós.
Porque não há razões e, de certa forma isso é bom, pois agimos pelo instinto, entretanto me sinto talvez mais animal, e quando digo animal, faço referência à irracionalidade que se apossa de nossa consciência quando sabemos que não deveríamos e ainda assim fazemos determinada coisa.
A verdade é que não é amor, não é paixão,  não é ódio, tampouco é tristeza. 
É desejo, dos mais cruéis e carnais possíveis...
Desejo pelo que não nos pertence e pelo sujo, mas que torna a vontade insuportável.
Lembro de certa vez que uma amiga me disse... "Quando eu quero eu consigo, quando eu preciso eu corro atrás". Essa frase sempre persistiu muito na minha cabeça, porque gosto de palavras fortes, daquelas que mostram-se decididas a fazer mesmo o que dizem... talvez seja por isso que meus desejos gritam por atenção e não admitem o fato de não serem atendidos ou compreendidos.