Fui o que precisava e também o que não precisava.
Me construí e desconstruí inúmeras vezes até perceber que ver minha face contra a parede uma só vez não era o suficiente.
E hoje ainda sinto os resquícios daquela vida passada.
Ainda me traço em uma tentativa eterna de encontrar a perfeição e sempre encontro-me debatendo com a dialética Aristotélica.
Desenho uma tese e a nego, e depois a nego novamente... e nego a negação.
Eternamente uma metamorfose e se por algum acaso me perguntam quem eu sou, digo que não a mesma que ontem e tampouco quem serei amanhã.
Talvez por isso ouvi palavras cortantes dizendo coisas amargas em meus ouvidos enquanto envolviam-me em seus braços.
E sim, as palavras cortam, talvez além e mais profundo do que as facas, porque se estas arrancam sangue de minha pele, palavras fazem com que ele caia de meus olhos.
E se elas não possuem meu físico que é uma eterna mudança, estavam inteiramente corretas ao dizer que sabiam possuir meu coração.
Ah queridas palavras!