Certa vez li sobre uma garota que acordava e achava a cama cheia demais quando havia alguém ao seu lado, e vazia demais quando esse alguém ia embora.
Hoje não achei a cama vazia, me achei vazia, cheia de nada.
O sol entrava pela janela, mas não esclarecia minhas idéias, pensei em tudo para fugir de meus próprios pensamentos e, quando finalmente desisti, percebi que não havia pensamentos em minha mente para que eu tentasse esquecê-los.
Não havia, porque eu não sabia no que pensar me sentindo tão estranhamente sozinha.
E lembrei-me das palavras de uma garota importante, que me dizia que meu destino era ser uma velha solitária com a casa cheia de gatos, cheguei a acreditar que seria verdade, e peguei minha pequenina gata de conversa.
Mas animais não falam a nossa preciosa língua, aliás, ainda se falassem não falariam conosco, nem nos escutariam em um momento de desabafo. Percebi quando meu gracioso animal deitou em sua completa inércia e continuou emanando aquela elegância que lhe pertencia.
Por um momento me senti em casa, me senti em família, talvez por ser eu tão egoísta quanto aquele animal e por me julgar tão dona de mim às vezes.
Doce utopia! Tampouco sou eu dona, quanto mais de mim mesma!
Percebi que a cama estava cheia de sol, de mim e de minha gata.
E não, ela não estava vazia, mas eu estava, estava completamente desorientada.