terça-feira, 13 de outubro de 2009

Delírio

Um quarto escuro e uma garota sentada... olhando para aquela máquina sintetizadora de sentimentos.
Era impressionante como um click era capaz de fazer surgirem sensações diversas e novas.
E havia um lugar no meio de todos aqueles click's que era capaz de conter quaisquer sentimento e tranformá-lo em ódio em questão de segundos.
Apesar disso, aquele era o melhor lugar, o que mais a deixava a vontade, que completava o seu vazio interior e a tornava viva.
Mas sempre quando ela se sentia a pessoa mais livre de infelicidades possível, começava a escurecer e ficar quente, e de repente ela começava a se queimar e ia se decompondo... e na medida que ela ardia em chamas e caía se devastando, ia nascendo uma nova garota dentro de uma câmera de resfriamento que sempre seria o inverso da garota em chamas.
Então, ela nascia totalmente opaca e fria, e teria que aprender a sentir a felicidade compulsiva da garota que se queimou, esse lugar de agora só a ensinava a se acostumar com a noite escura e com seus pés frenéticos dançando de maneira perturbadora.
Ela sentia as batidas fortes que vinham de dentro de sí gritando um transtorno.
Você.... você... você...
Quem é você que de repente aparece em seu transtorno?
Você parece embriagada....
Sinta-se em casa, ela está te convidando para fazer parte de seu transtorno, basta dizer que também possui preocupações.
Espera... o que são preocupações?
Não há motivo para se preocupar, agora o galo canta e o relógio marca 03:45 da manhã, vocês estão na janela e enquanto ela traga um cigarro você observa a maneira como sua boca fica entreaberta enquanto a fumaça vai sumindo e invadindo a escuridão.
Ela olha para você e se pergunta porque só você aparece em seu mundo frio e opaco.
Como se você adivinhasse seus pensamentos você sorri, não um sorriso doce, mas um sorriso amargo e triste.
Então como se você sentisse menos que ela e omitisse toda a sua vontade de vê-la sorrir, você vira de costas.
Ela sente uma lágrima escorrer e aperta suas mãos desejando que você não vá, que você apenas diga "Adeus, eu voltarei!", mas você continua andando, sem se virar, você apenas segue em frente como se nada importasse.
Então ela se deita tentando esquecer que você se foi, tentando suprir suas vontades com algo que nem ela mesma sabe o que é.
De repente seus olhos se fecham e ela não sabe mais que horas são, ela sabe que seus passos agora estão distantes e começa a tentar levar seus pensamentos pra junto destes passos.
Escuro... escuro... inconsciente... de repente ela fica inconsciente.
Agora ela é apenas um corpo na câmera de resfriamento.

Nenhum comentário: