As letras dançavam diante dos olhos de Catarina, era como se fizessem um espetáculo e mostrassem que não eram belas apenas formando palavras.
E diante daquela dança alfabética ela se perdia e perdia o texto, perdia o sentido das palavras e o local por onde seus pensamentos viajavam.
E de súbito não era mais a história que lia, mas sim a que pensava e sonhava, transportando-a a um ponto qualquer do mapa de suas idéias.
Um lugar específico que guardava sua atenção e não admitia dividí-la com uma historiazinha qualquer.
Até que a menina se lembrava que não era momento para criar e tampouco era ela uma criadora, apesar da imensa vontade de sê-lo.
Catarina era apenas uma descobridora de palavras e contos, poemas e letras. Porém descobridores tem de ser lúcidos e possuir provas imutáveis de suas descobertas. Mas as letras dançavam e dançavam, tornando a menina apenas uma espectadora e tirando de cena o mérito de criadora ou descobridora, pois estes eram fortes e seguros demais e Catarina... apenas possuía a força de seus pensamentos longínquos e um livro com letras dançantes.
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