quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fascination Street

O sol nascia clareando o dia, e Clara acordava tentando clarear sua mente.
Quanto excesso de coisas claras!
Agora tudo é assim, muito claro perante os olhos de quem lê, mas naquele amanhecer tudo estava extremamente escuro ao ver daquela garota.
As lágrimas teimavam em descer enquanto ela lutava para aparentar uma força que não lhe pertencia.
E de repente, surgia um turbilhão de informações tomando conta de seus pensamentos, na verdade uma tempestade de mentiras fazia o possível e o impossível para convencê-la de que eram verdades.
E nenhuma daquelas historiazinhas que tentavam se passar por reais se encaixavam no contexto situacional ao qual ela se inseria. Por isso todo aquele esforço para mostrar-se genuíno era inútil e apenas servia como base para comprovar a fantasia de uma mente adoecida pelo cansaço.
Repentinamente a raiva tomava conta de seu corpo e transparecia em suas expressões de garota farta por viver em meio a uma bagunça de idéias e de objetos ao seu redor. Não sabia de que exatamente sentia raiva, talvez por não poder fazer nada a respeito dos problemas que lhe transtornavam.
Às vezes a melhor ideia que lhe passava pela cabeça era fujir, fujir do nascer do sol naquele lugar onde as soluções nunca apareciam para clarear as suas ideias.
Era quando percebia o quão ruim poderia ser se adaptar à insanidade alheia e o quanto custava fazê-lo.

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