sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fatos cronológicos daquele pensamento matutino


Hoje o despertador tocou com aquele alarde extremamente irritante, meus olhos custaram a abrir, a cama estava quentinha e eu era a típica escrava de um sistema, no qual todos os assalariados devem acordar no exato momento programado e, então dar início a um ritual preparatório para um longo dia. Abri meus olhos com certa dificuldade e apertei o botão do celular que indicava que o despertador deveria parar. Hoje em dia não se usam mais relógios para despertar, isso é coisa passada, hoje eu apenas aperto o botão do telefone móvel e começo minha saga.
Eu ainda não entrei de cabeça no sistema, mas sentia que estava prestes a entrar, não por vontade própria, mas por puríssima premência. Afinal, vivemos num sistema capitalista, e adivinhem só do que eu precisava naquele momento? Capital! Precisava de ver a cor do dinheiro para suster meus sonhos, que para ser franca, não esbanjavam riqueza, apenas felicidade plena. Mas quem é que disse que a felicidade não é o dinheiro oras?  Para meu infortúnio, meus sonhos de viajar, ter uma casa simples, porém bela e ouvir uma boa música não era gratuitos.
Portanto me levantei, coloquei uma roupa neutra e fiz uma maquiagem que irradiava discrição. Entrei num ônibus lotado e me segurando nas beradas consegui me estabelecer em pé, de fronte a uma moça muito bonita. Eu estava ouvindo uma música, não me lembro o que era, mas me distraí olhando a rua, várias casas a venda, muitos apartamentos e, eu não me importava com o quão humildes eles eram, eu desejava todos eles, desejava ter um lugar meu, para chegar, acender um cigarro e assistir a um bom filme. Queria um lugar repleto de paz, onde pouco importasse minha conduta psicológica, sexual ou religiosa.
E eu viajava, ultrapassando barreiras de tempo e espaço, tal como os livros me provavam ser possível com o poder da imaginação e, atualmente, o maravilhoso advento da Internet provou o mesmo para minha querida irmã Alice (ela vive numa contemporaneidade impressionante e admirável).
Quando surgiu um banco, me sentei e mergulhei num livro que contava uma das aventuras de meu querido Mr. Poirot, em questão de minutos a realidade me gritou e eu fechei as portas do livro bem na hora que Poirot fazia uma consideração importantíssima! Desci do ônibus e fui pensando com meus miólos como seria o desenrolar daquela história... quanto ao meu dia? Pouco me importava como ele iria percorrer dali pra frente, eu não estava nervosa, ansiosa, tampouco apreensiva. Eu só queria que ele terminasse logo para que chegasse o dia seguinte e eu finalmente mudasse a cor do meu cabelo, assim como Clementine... mas isso já é outra história!

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