sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Como eu queria me tornar estúpida




Há dias tenho lembrado de Antonie e de seu desataque de prudência tentando fugir da racionalidade.
A verdade é que se Antonie não fosse um mero personagem satírico, eu pegaria sua história como exemplo e entraria para um clube suicida.
É exaustivo todo este exercício reflexivo e, quanto mais eu penso, mais me convenço de que seria muitíssimo satisfatório abandonar este hábito patológico.
Tantos pensamentos prolixos que, de certa forma se completam, mas nunca se concluem acabam me prendendo num círculo vicioso, do qual anseio por sair, mas infelizmente, não há escape para uma mente viciada em monólogos.
E, assim como Antonie, eu gostaria de uma pílula que me fizesse parar de questionar e simplesmente aceitar. Queria tornar-me estúpida, porque a estupidez é a porta de saída para a indignação e, quem sabe assim eu me tornaria uma acomodada, ignorantemente feliz.
Eu gostaria de ser um liquido adaptável a qualquer recipiente, no entanto sou vapor difuso e confuso e me perco com tantas moléculas se agitando em mim.
Penso que talvez a ignorância seja uma dádiva divina concedida àqueles que podem ser plenamente felizes e livres de preocupações, entretanto julgo ilógico conceder um privilégio a um número tão grande de pessoas.
Por outro lado pensar, incontestavelmente não é algo favorável ao bem estar e, por vezes eu quero parar, dosar minha racionalidade com um pouco de alucinação, desajustar-me.

2 comentários:

Anônimo disse...
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