domingo, 30 de junho de 2013

Cast your mind back to the days...


As vezes tudo parece mentira.
A vida retrocede e eu escuto aquela velha canção "Um dia gatinha manhosa eu prendo você, no meu coração..."
Quando eu era apenas uma menina pueril nada disso fazia muito sentido, na verdade quando somos apenas crianças, as letras em geral não precisam de uma razão pra existir, são todas letras que nos fazem felizes, de canções que nos fazem dançar e cantigas que nos fazem brincar.
Aquela garotinah de cinco anos, não sabia que quando crescesse nenhuma criatura no mundo beijaria seus pés com carinho novamente, tampouco sabia ela, que isso não era assim muito normal.
Ela não sabia que sentir saudades de casa não era sentir falta do seu cobertor, que gatos unham de brincadeira e cachorros mordem pra afiar os dentes também.
E é triste, é triste quando a gente percebe que as canções são feitas de letras, e em geral elas tem que fazer sentido, senão nós não gostamos delas.
Um dia a garotinha acordou e de repente, contaram-lhe que gatinhos não são tão carinhosos quanto cachorros e, apesar de tudo isso parecer a ela uma grande mentira, ela entendeu o porque da metáfora "Um dia gatinha manhosa eu prendo você, no meu coração".
Descobrir isso foi decifrar a canção, mas não, não foi um momento brilhante, porque a canção não era como antes, ouvida enquanto caminhava entre as núvens e conversava sozinha fingindo cantar belas canções. A canção não a fazia pensar que um dia poderia voar ou que seu vestido lilás rodado era o mais bonito do mundo e fazia com que ela fosse uma princesa.
É que princesas não existem e principes podem parecer entediantes.
É que dói quando cai a ficha e eu odeio esses flashbacks, mas ao mesmo tempo sou viciada em todos eles, porque todos são tão lindos que é hipocrisia apagá-los pelo simples fato de me causarem um estranho aperto.
Apesar de tudo isso, estou sentada com dois gatos ao meu redor, aqueles mesmos gatos que o mundo julga serem animaizinhos arrogantes, estou aqui ouvindo canções que sempre me tocaram, as mesmas de sempre. Por alguns momentos eu ouço aquelas conversas lá embaixo, aquelas que não existem mais e, em seguida percebo que eram apenas lembranças, afinal tudo aquilo já passou e agora eu entendo, que consegui prender o que pude.
Agora eu entendo que a gatinha manhosa é tudo aquilo difícil de prender, de conservar, mas que o prazer de prender o impossível é impagável. Porque eu não me apossei de nenhum momento, de nenhuma feição e de nenhum sorriso, eles simplesmente visitam minha mente em determinado momento e se fazem presentes, ainda que disfarçados de realidade.

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