domingo, 29 de agosto de 2010

Chan Chan

A fadiga roubou-me as palavras, as roupas e a folha escrita.
Aos poucos a fadiga tenta levar-me o amor, a amizade e o ânimo de voar.
A fadiga trouxe aos ponteiros do relógio o seu barulho característico e ansioso, trouxe aos dedos o estalo incessante e às pessoas a vida trepidante.
Foi-se a natureza do tempo, das flores e dos passos, hoje em dia é tudo técnica, tudo leva à praticidade do que cabe entre o tic e o tac do relógio e à controversa de raramente se ver um corpo em repouso permanecer em repouso.
E ainda em meio a tanta agitação, há a ausência de seres pensantes, racionais e conscientes, vemos seres eternamente alienados e estáticos, mutáveis por natureza e iguais por comodidade.
Ah, fadiga!

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