domingo, 29 de agosto de 2010

There She Goes Again

O relógio batia por volta de oito horas da noite, o céu escurecia se tornando levemente roxo, enquando aqueles coturnos de cadarços brancos davam passos monótonos e exaustos, Catherine encarava aquele como um dia qualquer, e levava consigo apenas seu traje habitual, a calça jeans desgastada, sua jaqueta jeans e sua mochila velha.
Aos poucos seus passos se tornavam mecânicos, até que avistou o portão de grades pretas, colocando a mochila sob um de seus ombros, abriu o bolso externo e tirou um bolo de chaves, abriu o portão e começou a subir as escadas, enquanto sua respiração se tornava cada vez mais ofegante, chegando ao último andar, abriu a porta de número 601 e entrou.
Encaminhou-se até o bar no canto da sala, e examinando cuidadosamente todas as garrafas escolheu aquela cujo rótulo dizia "Johnnie Walker Blue Label King George V Edition", abriu a garrafa colocando parte do liquído em seu copo baixo.
Encaminhando-se à cobertura, sentou-se em sua poltrona de couro preto na sala de estar que ficava em frente à piscina, e começou a observar as estrelas.
Tudo em sua vida estava tão monótono, que apenas o Johnnie Walker poderia quebrar os dias eternamente cansativos.
Catherine de alguma forma imaginava que nada nunca daria certo para sí, não havia porque sustentar-se em cima de longos e árduos dias, não havia um porque para nada, a dor de cabeça tornava-se ainda mais assídua sob o efeito do whiskey, mas nada a fazia sentir-se melhor, nem mesmo a presença de alguém que amasse.
Catherine sabia que de certa forma a vida estava se tornando chata, muitos diziam a ela que se acalmasse, afinal, a vida é composta de fases, e fases passam, mas tudo parecia diferente diante de seus olhos.
O álcool já não lhe causava a mesma euforia, e já não havia animo para longas noites junto a sua amada, no final das contas nada fazia muito sentido para sí.
Ela via a sí própria como alguém alheia, totalmente sem motivos, sem razões para continuar a caminhar, e então ela via seu grande amor junto a sí, e sentia-se chateada por achar tudo aquilo tão cansativo, até mesmo sua garota, em meio a tantos assuntos que não lhes dizia respeito.
Apenas queria explodir o mundo, e ver cada parte de seu corpo voando como confetes no carnaval, sabendo que o fim havia chegado depois de longos anos de espera.
Então percebendo o brilho de todas aquelas estrelas no céu, Catherine tirou sua jaqueta e seu jeans desgastado, tirou seu coturno e ficando apenas ela, despida pulou em sua piscina mergulhando tão profundo quanto seus pensamentos, enquanto o alcool fazia efeito, e sua respiração falhava.
Pensava consigo, não falharei agora, finalmente chegou o fim, então na vastidão de seu inconsciente, via uma garotinha correndo atrás da bola, enquanto sorria dentro de seu vestido branco cheio de rendas e sardinhas no rosto, e de repente, percebeu que não havia porque fugir de seus problemas.
Não havia agora um motivo pelo qual continuar nadando, e aos poucos o sopro de vida que havia em sí ia falhando, porém a idéia de que a morte poderia ser tão maçante quanto a vida lhe aterrorizava.
E chegando à beira da piscina olhou ao seu redor, lá estava seu companheiro, velho e bom Walker, pegando a garrafa, encheu novamente seu copo e deitou seu corpo nú sob o chão frio.
Olhando às estrelas percebeu que era apenas ela, sozinha, cheia de nada, cheia de sangue correndo em suas veias, percebendo que o que sentia, era o ódio repleto de amor, e o cansaço de estar sempre cansada.

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