Não há o que escrever, pois o vinho engarrafou minhas palavras...
E não há o que sentir em meio a toda esta embriaguez.
Lembrei-me há pouco daquela conversa que há cerca de uma semana tivemos na varanda... onde eu ainda me preocupava em esconder a fumaça, em esconder o vício e em esconder o maço de cigarros... aquele mesmo, que ficou jogado na mesa!
Lembrei-me de quando falamos sobre os motivos para se fazer as coisas, e ri baixinho pensando no quão desprezíveis somos nós.
Porque não há razões e, de certa forma isso é bom, pois agimos pelo instinto, entretanto me sinto talvez mais animal, e quando digo animal, faço referência à irracionalidade que se apossa de nossa consciência quando sabemos que não deveríamos e ainda assim fazemos determinada coisa.
A verdade é que não é amor, não é paixão, não é ódio, tampouco é tristeza.
É desejo, dos mais cruéis e carnais possíveis...
Desejo pelo que não nos pertence e pelo sujo, mas que torna a vontade insuportável.
Lembro de certa vez que uma amiga me disse... "Quando eu quero eu consigo, quando eu preciso eu corro atrás". Essa frase sempre persistiu muito na minha cabeça, porque gosto de palavras fortes, daquelas que mostram-se decididas a fazer mesmo o que dizem... talvez seja por isso que meus desejos gritam por atenção e não admitem o fato de não serem atendidos ou compreendidos.
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