Era como olhar para um quarto totalmente bagunçado e se perguntar "por onde eu começo?" oras, pelo começo, é aí que se começa.
Mas então, surge a segunda pergunta "E onde é o começo?".
O começo é aquele ponto que parece solucionar parte do problema e introduzir os demais, é como a introdução de uma narrativa, aquela que previamente apresenta a história e abre brechas para o desenvolvimento do texto, esse é o começo, a parte que anuncia todo o resto, que da o primeiro passo.
Entretanto, para que haja primeiro passo, é necessário que hajam também as pernas, os pés e o equilíbrio.
E eu não possuía nenhum dos requisitos, eu era um ser plasta, um ser inerte em minha própria bolha, esse era eu. E em meio a toda aquela bagunça, eu tentava distinguir o melhor caminho para fabricar pernas, pés e equilíbrio, entretanto, faltava-me a coragem, faltava-me a atitude.
Justo eu, que sempre gostei dos extremos, me encontrava entalado na metade. Eu não era lava nem gelo, eu não era brisa nem ventania, eu não era doce nem azedo, eu não fedia nem cheirava, eu era aquela coisa sem sal, aquela coisa sem cor, que não chama atenção de ninguém, que pela primeira vez na vida não tinha nem mesmo opinião a não ser o não sei.
Eu era um nada no meio de um emaranhado de papéis, eu era a mente confusa que em meio à exaustão pifou e parou de funcionar no meio da estrada, então eu parei e me sentei ali no acostamento, para assistir a banda passar, para ver o sol nascer, para ver o sol se por, para ver a lua irradiar, para ver e sentir, mas nunca para participar.
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